sexta-feira, 1 de maio de 2009

Reflexões Do Vazio²

Vejo uma multidão inumerável de Homens semelhantes e iguais, que sem descanso se voltam sobre si mesmos à procura de pequenos e vulgares prazeres, com os quais enchem a alma. Cada um deles, afastado dos demais, é como que estranho ao destino de todos os outros: seus filhos e seus amigos particulares para ele constituem toda a espécie humana; quanto ao restante dos seus concidadãos, está ao lado deles, mas não os vê; toca-os, mas não os sente, existe apenas em si e para si mesmo...Acima destes eleva-se um poder imenso e tutelar que se encarrega de garantir o seu prazer e velar sobre a sua sorte. É absoluto, minucioso, regular, previdente e brando (...) Trabalha de bom grado para a sua felicidade, mas deseja ser o seu único agente e árbitro exclusivo; provê a sua segurança, conduz os seus principais negócios, dirige a sua indústria, regula as suas sucessões, divide as suas heranças; que lhe falta tirar-lhes inteiramente, senão o incômodo de pensar e a angústia de viver?
(Tocqueville)

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